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sábado, 24 de julho de 2010

108 - Um dia depois

Já era de tarde quando eu fiquei pronto. Coloquei uma camisa branca por baixo e a tricolor número 4 por cima. A última vez que fui ver o jogo do flu, fiquei do lado de fora.

Chegando na rodoviária, encontrei um amigo flamenguista e disse pra onde ia. Lógico, era meu primeiro jogo no Maracanã.

Paramos na lanchonete compramos um biscoito... Minha ansiedade era meio-a-meio com o otimismo. Medo ficava lá no fundo não procurei ele.

Entro no ônibus me acomodo na janela... Um frio danado pelo ar condicionado. Chegando no Rio a felicidade toma conta... É inegavelmente uma cidade que eu adoro.
Lanche, banheiro, taxi... Chegamos. Av. Radial Oeste, Maracanã. Já é noite eu não consigo nem me preocupo em pensar o quanto vai demorar pra entrar. A fila foi rápida, e com o ingresso no bolso, fui andando... Aqui (re)começa essa história.

A palavra que me vem a cabeça é 'batismo de fogo'. Li uma vez no jornal e acho que é o que se encaixa no momento.

Subi uma das rampas Sagradas: a do Belini. Ouvir o hino tocar foi sim o sinal de que era a minha vez. Estava no estádio que transpira história por seu cimento, por sua tinta, por seu gramado.

Andando, andando, andando, andando... Chegamos na entrada da arquibancada Amarela. E ai sim, eu quase chorei. Não teria problema chorar, mas a emoção veio junto com o deslumbramento.

Achamos o lugar pra sentar... e deslumbrados com o campo gigante.... Não encontrei meu amigos da Arena, infelizmente. Depois fui saber que estavam a 100 metros de distância. Uma miséria para o tamanho do Maracanã.
E então... Eu vi... estava dentro da festa. Daquela festa que eu vi e sempre admirei pela tela da TV: O pó de Arroz. Passou voando por mim. Eu estava lá... Emocionante.


E então o jogo começou. E entendi porque Nelson Rodrigues comentava o Além em seus textos. Existe algo mágico no jogo do Fluminense em casa. Mágico. Os detalhes que a Tv nos trás nos fazem perder essa magia. Seria muito mais emocionante um jogo sem narração, e sem 54 câmeras filmando todos os detalhes. Pois é assim um jogo de verdade.

Foi emocionante, foi assustador quando o Cruzeiro atacou. Mas o primeiro tempo acabou morno. E fui eu fazer mais uma marca da torcida: Mudar de arquibancada: De uma Amarela para a outra do outro lado. E fiquei atrás do gol de Fábio...
E no momento que o Fluminense estava PIOR, repito PIOR no jogo, eu vi os Deus do Futebol se manifestarem na minha frente. Escanteio pro Flu, Conca na cobrança e Leandro Euzébio, que estava muito mal na partida fuzilou o gol... Foi só um nano-segundo pra respirar e berra GOLLLLLLLLLLLLLLLLLL!!!!!! Mais rápido saquei o Celular eu filmei a festa da torcida:


E mais festa com O Show Tá Começando:


Confesso: A mim o jogo desligou na hora da gol até parte do fim. Eu não saberia descrever lance nenhum. Até porque sai um pouco antes do fim para poder pegar o último ônibus de volta a casa.

Nada nem sair antes me tirou a felicidade de estar ali. Eu diria que é impossível descrever o que eu senti naquele momento. Mas aqui eu tentei pelo menos.
Cheguei a rodoviária e vi o fim do jogo. Chegamos aos 46... Eu, meu pai, meu irmão... Nos abraçamos e ali eu agradeci a Deus. Não estava lá quando agradeceram a torcida, mas eu me senti honrado por ter estado ali. Por saber que era pra mim também aquele agradecimento.
E dentro do ônibus de volta vendo vários caros com motoristas com camisas de três listras nas mangas eu pensava em cada detalhe do jogo... Mas só ficava na cabeça a emoção sentida.

domingo, 27 de dezembro de 2009

2010 - Eu Sinto Algo Diferente Nesse Ano

Mais um ano vai indo e mais um vem chegando, e eu tenho a estranha sensação de que será diferente esse 2010.
Muito por causa do Fluminense.
Eu nasci em 1991. Minhas primeiras lembranças do Fluminense são da era negra de sua história, mais precisamente Fluminense X ABC (não lembro o mando de campo) onde após uma falta, Roger continuou a correr com a bola e tomou cartão amarelo.

1999. 10 anos. E nesse 10 anos em que eu me fundi com a camisa tricolor, deixando de ser apenas um torcedor de vitórias (leia modinha) e me tornei um verdadeiro tricolor, nesses 10 anos nunca me senti tão confiante quanto a meu time.

A super campanha final no desastroso 2009 criou essa confiança. Algo maior iluminou aos jogadores e a torcida. Iluminou a mim, mesmo estando tão distante, mesmo tendo ficado de fora do único jogo do Fluminense que fui ver aqui em Nova Friburgo. E que depois foi recompensado conhecendo 'a terra santa tricolor': Laranjeiras.

E acredito que foi ali naquele lugar sagrado, que de certa forma eu me renovei como tricolor. Senti a força desse carma. E o quanto ele me faz feliz.

Nesses 10 anos de lembranças (e 18 de vida e videotapes), nunca um time me deu tanto orgulho quanto esse que terminou 2009. Mesmo perdendo uma final. Mesmo lutando para não ser rebaixado, foi o time que mais me deu orgulho. Mais do que o único título nacional que em vi em 2007 na copa do Brasil. Um time que, perdoem, mas foi normal. Simples apesar de tudo.
Esse foi extraordinario apesar de tudo.

Não estou contente em termos perdemos uma final e lutamos contra o rebaixamento

Estou contente com o poder que nossas cores, nossa camisa, nossa torcida, e nosso time tiveram.

Pelo menos o que vi foi isso. Tudo isso no fim aonde vi o que nos espera em 2010.

Da esquerda pra Direita: Eu, Meu pai (Marcos) e Meu Irmão (Tiago) nas Laranjeiras em 2009. Meu pai é o responsável por eu ser tricolor. E é meu exemplo de vida, por N motivos. ;)



"Se quereis saber o futuro do Fluminense, olhai para o seu passado. A história tricolor traduz a predestinação para a glória" - Nélson Rodrigues
Tópico

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

2 Pais a seus filhos daqui a 20 anos, sobre o jogo de agora pouco


Hoje no intervalo do jogo, me pai me contou de novo onde ele estava e como foi o momento do gol do Assis em 1983.

Então quando terminou o jogo eu pensei na seguinte história. Quero que me acompanhem:

Uma rapaz tricolor que assistiu o jogo hoje no estádio, em casa, em qualquer lugar, daqui a 20 anos, ao ser perguntado como foi o ano de 2009 do Fluminense vai responder

-Até o meio do ano nosso time estava morto, num caminho sem volta pra segunda divisão. Chegamos a ter 98% de chances de cair, talvez até mais...
Mas nosso time foi re-montado pelo Cuca que era o técnico na época. Ganhamos os jogos do Brasileiro e da Sulamerica 1 a 1. No Brasileiro saimos do rebaixamento. Na Sulamericana chegamos na final.

-Mas perdemos a final! - vai dizer o filho (ou filha, sendo que o rapaz lógico pode também ser muito bem uma moça)

-Sim mas perdemos lutando. Não estou dizendo que gostamos de ter sido vice, mas nunca desistimos, incentivamos o time até o fim. O Jogo terminou 3x0, 4x5 na soma dos resultados, ganhamos mas não o suficiente. Mas mesmo após o fim, a torcida continuou cantando e apoiando os Guerreiros do Fluminense. E essa derrota foi o marco que previu nos anos seguintes os títulos do Fluminense...

Eu me imagino contando isso para meus filhos.

Agora imaginemos um equatoriano, torcedor da LDU. O que ele vai dizer do título que deu a triplice coroa a LDU?

-Nosso time começou mal o ano, abalada pela perda do mundial. Fomos eliminados da libertadores. E apenas mediano no campeonato Nacional. Mas a sulamericana mudou tudo e deu gás ao nosso time. E vencemos de novo em um Maracanã lotado.

- Mas como foi o jogo lá? A LDU deu tudo de si para liquidar o Fluminense? Ela fez jus por ser campeã da América e venceu eles?

(Abro um parênteses. Você acha que o pai vai responder de maneira correta essa pergunta? dizer q a LDU só construiu um placar na altitude de Quito, e que apresentou um futebol medilcre nesse e em todos os jogos fora de casa?)

-Não, nós perdemos o jogo, mas não foi suficiente pra perder o título.

Você Sentiria orgulho de dizer a seu filho que seu time ganhou o título sem apresentar futebol de qualidade???

Eu não quero resposta ofensivas ou chingamentos. Apenas Que VOCÊ REFLITA. Eu me sinto muito orgulhoso pelo meu time Guerreiro. Agradeço a DEUS PELO QUE O FLU SE TORNOU NO MOMENTO DE DIFICULDADE, MAIS FLUMINENSE DO QUE AQUELE TIME DA LIBERTADORES DO ANO PASSADO.

ST

Diego Bachini Lima